Foto: Divulgação/MPT
Entrevista | Grupos sociais preparam ato por procuradora que acusa expoentes da "velha Lava Jato" de perseguição
Por Fausto Macedo e Felipe de Paula · Publicado em 04/07/2026
Grupos de direitos humanos e entidades sociais articulam um ato público de apoio à procuradora Margaret Matos de Carvalho, acusada de desviar cerca de R$ 6,2 milhões de um acordo entre o Banco Itaú e o Ministério Público do Trabalho no Paraná. Em entrevista ao Estadão, ela afirma ser vítima de uma perseguição com "viés político e ideológico" promovida por ex-integrantes da extinta Operação Lava Jato.
Segundo a reportagem, a denúncia do Ministério Público Federal aponta que Margaret e a contadora Rejane Paredes teriam desviado quase a totalidade dos R$ 7 milhões repassados pelo Itaú ao Instituto Lixo e Cidadania (Ilix), em Curitiba. Margaret nega qualquer ilícito e afirma que os valores foram aplicados em ações alinhadas à missão institucional do MPT, em um acordo homologado judicialmente.
A procuradora relaciona o avanço do caso à sua participação, em 2018, na Vigília Lula Livre, quando integrantes do Ministério Público e do Judiciário foram a Curitiba prestar solidariedade ao presidente Lula, então preso, cuja condenação foi depois anulada pelo STF. Ela cita nominalmente o procurador Diogo Castor de Mattos e o ex-procurador Deltan Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato, como seus principais perseguidores, e afirma que Dallagnol teria dito a colegas que ela "defendia bandido". Os dois negam conhecê-la.
Segundo Margaret, na Corregedoria do Ministério Público do Trabalho a relatora do caso votou pelo arquivamento do processo administrativo contra ela, mas os demais conselheiros reverteram a decisão, o que ela atribui à influência de Diogo Castor. Já Castor afirma, em nota, não ter atuado nem na ação penal aberta no STJ nem na correição da Corregedoria do MPT.
Na entrevista, Margaret também nega irregularidades na viagem a Maceió e na venda de um veículo apontadas na denúncia, diz que a quebra de seu sigilo bancário e fiscal não identificou nada incompatível com sua renda, e afirma confiar que a instrução do processo demonstrará sua inocência.
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